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Relacionamentos

Amor: o lixo e as verdades por detrás da palavra

Amor, o lixo do amor

Olá! Aqui é o Wagner e hoje quero te fazer um convite a pensar em um assunto muito interessante, o amor e os lixos que são trazidos com ele.

Estamos nos tornando pessoas com excesso de energias positivas, de falar as coisas com jeito e de ter um toque conciliador para que ninguém sofra. Além disso, estamos numa época na qual os produtos que estão tomando conta dos nossos lares são: café sem cafeína, cerveja sem álcool, manteiga sem gordura, leite sem lactose e por aí vai.

Mas o que tudo isso tem a ver?

Com todas essas formas de pensar e ideologias construídas a partir de uma “segunda era ‘paz e amor’ procuramos ser mais puros de alguma maneira. Porque precisamos disso, é uma questão de necessidade.

Paz e amor

Os dias estão mais conturbados. O trânsito que nos incomoda, chefe que não compreende que algo não pode ser feito, filhos que querem isso ou aquilo, amigos que devemos agradar, temos que ir nesse ou naquele aniversário, mesmo que não estejamos bem pra ir. Como se todas as pessoas e/ou fatores externos nos controlassem de alguma maneira. E tudo isso nos faz viver para agradar aos outros.

De acordo com o filósofo Slavoj Zizek, nós achamos que o lixo some, simplesmente desaparece. Nós o enviamos para o lixão e pronto, sumiu.

Mas, todos sabem que o lixo vai para outros lugares. De alguma maneira, o lixo faz parte do planeta, consequentemente do universo, afinal, nada é destruído de fato, tudo se transforma.

Zizek diz que se amamos o mundo em que vivemos, temos que amar o lixo que é produzido por ele igualmente.

Já percebeu que quando nos apaixonamos por alguém só notamos suas virtudes?

Deixe-me tentar falar sobre o amor, mais especificamente, o lixo do amor. Acreditamos que amor tem que ser perfeito, que quando encontramos uma pessoa para amar, ela deve nos completar. O amor verdadeiro, para Zizek, é o oposto. É reconectar a imperfeição, aceitar a pessoa com todas as suas falhas.

Entretanto, quando eu procuro um amor, quero alguém que pense como eu, que tenha o mesmo senso de humor, que goste das mesmas músicas, dos mesmos lugares e talvez tenha até os mesmos amigos, afinal assim é mais fácil e comodo de se encaixar sem termos grandes mudanças. Como somos seres acomodados por natureza, é confortável permanecer no mesmo circulo social, é difícil conhecer os pais da outra pessoa e outras N coisas que não queremos fazer pela mudança.

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Quando idealizamos o amor, vemos o que queremos na outra pessoa.

Zizek diz que, na verdade, não nos apaixonamos pelas pessoas, mas sim pela imagem perfeita que fazemos delas. Assim como gostamos de sonhar com um mundo sem lixo, mas ele ainda existe, a diferença é que esse lixo é tirado da frente dos nossos olhos e a partir desse momento, não nos preocupamos mais com ele. Como se colocássemos um óculos que oculta tudo o que não queremos ver.

o amor está no ar

Por isso que no começo de um relacionamento as coisas são mais tolerantes, pensamos que assim como o lixo do mundo, podemos esconder aquela “imperfeição” jogando-a para debaixo do tapete com uma conversa onde não estamos 100% satisfeitos com o resultado, mas não rendemos para não causar um “incomodo” na relação. Porém, percebe que esse incomodo está sendo causado por você mesmo? Esse vai ser o ponto de discussão por várias e várias outras falhas. Conheço muitas pessoas assim, que trazem a tona conversas do passado que não deveriam mudar em nada no agora, mas ainda sim são motivos de discussão.

Por exemplo, já percebeu que à medida que o tempo vai passando, adquire-se um certa intimidade que não havia antes? Onde você pode dizer certas palavras sem tanto pudor, ter toques que talvez num primeiro momento não tivessem? Esse é um ponto interessante, pois assim como você vai aprendendo a se moldar, a outra pessoa também está fazendo o mesmo. Imagine então aquelas conversas mais acaloradas que no começo não tinham e agora estão ficando um pouco mais normais, já pensou que talvez isso esteja acontecendo porque os dois estão tentando só relevar? Mas até onde isso é benéfico para a relação?

É necessário que sejamos nós mesmos desde o primeiro momento, sem idealizar tanto o outro. Fazemos parte de um quebra-cabeças gigante, onde somos peças importantes no meio da figura e as outras encaixam-se ajudando a formar o todo, que nesse caso seria o nosso contexto social.

Aliás, para entender mais sobre ser você mesmo, leia também: Chave para o sucesso? Seja a pessoa que deseja ser

Tenho certeza que você não quer uma peça que não se encaixe, então se for necessário dizer ao namorado(a), amigo(a), irmão, mãe ou pai o que você pensa, mesmo que os magoe, deve fazê-lo.

Porque isso os conecta a realidade. A realidade é repleta de verdades desconfortáveis, contradições e até dor. Já ouviu falar em: “Estou falando isso porque te amo”?

Se quisermos uma pessoa por perto, que seja para nos fazer bem. Você não precisa se anular para encontrar essa pessoa, só precisa ser você mesmo.

amor e sua essência

Vamos pensar um pouco sobre como eram os relacionamentos antigamente e os relacionamentos de agora. Mas vamos tentar pegar casos de sucesso.

Recentemente perdi minha avó, uma senhorinha sorridente e cheia de alegrias. Lembro de nossas conversas e como ela contava sobre o passado, as brincadeiras, os trabalhos no campo, eram conversas incríveis e intermináveis, poderíamos passar horas e horas que eu não me cansava de escutar. Mas o ponto aqui é sobre relacionamentos, vamos pegar o relacionamento de sucesso entre ela e o meu avozinho.

Mais de 50 anos juntos, com uma intimidade, cumplicidade e amor de dar inveja a muitos jovens.

Em nossas longas conversas percebi algumas coisas, como os motivos dos sucessos e insucessos do relacionamento amoroso. E sabe, não são coisas de outro mundo, são bastante simples na verdade.

O contexto importa muito, pois esse contexto vai moldar o seu pensamento até certo ponto. Percebi que o tempo e contexto em que eles viveram fizeram essa diferença.

As coisas, no geral, eram menos abundantes antigamente, menos brinquedos, menos opções de trabalho, menos comunicação fora do seu meio social. E veja o impacto que isso causa na nossa sociedade, uma criança que quebra um brinquedo hoje, ela larga esse brinquedo e terá outro. Já somos acostumados com o ” quebrou joga fora”, como se fosse lixo. Antigamente não era assim, se o brinquedo quebrasse você consertava, como as bonequinhas de sabugo de milho que minha avó brincava, isso a fazia ter mais cuidado com o que tinha.

Talvez você mesmo seja um exemplo de pessoa que lida com relacionamentos como se fosse brinquedo, já parou pra pensar nisso? Mas você conserta o “brinquedo”, ou joga fora como se fosse lixo?

Devemos aprender a amar mais as pessoas e usar as coisas, mas o que muita gente tem feito hoje é usar as pessoas e amar as coisas.

Se a gente simplesmente começasse a olhar mais as pessoas nos olhos, senti-las, ouvi-las e enxergar o ser humano que está ali, conseguiríamos criar conexões muito mais profundas e diálogos que com certeza poderiam resolver muitos problemas que causamos em nossas cabeças, por não entender o outro.

Relacionamentos não se tratam só dos nossos motivos individualistas, não se trata apenas do que queremos do compromisso que assumimos. Se trata de empoderar a pessoa a alcançar os objetivos dela, seus sonhos e principalmente de ser vista e entendida como ser humano.

Entenda que talvez aquilo que você considera lixo, pode ser valioso para a outra pessoa. Entenda que seus contextos fazem toda a diferença para a pessoa que você se tornou, assim como as pessoas que você encontrará pelo caminho.

Ame as pessoas, entenda e se ponha no lugar delas. Isso vai fazer toda a diferença entre um relacionamento que vai dar certo ou não.

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Ah! Pra saber como utilizar entre no post Como avaliar e mudar a sua vida – Roteiro de viagem 2018, ele é o início da trilha.

Melhore sua qualidade de vida lendo o nosso post: 7 pontos importantes para você melhorar sua qualidade de vida

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Wagner Souza – Palestrante, consultor de Negócios e gestão criativa; Professional e Personal Coach