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Amor: o lixo e as verdades por detrás da palavra

Janeiro 20, 2018
Janeiro 20, 2018 Wagner

Amor: o lixo e as verdades por detrás da palavra

Amor, o lixo do amor

Quero te fazer um convite a pensar em um assunto muito interessante, o amor e os lixos que são trazidos com ele.

Estamos nos tornando pessoas com excesso de energias positivas, de falar as coisas com jeito e de ter um toque conciliador para que ninguém sofra.

Além disso, estamos numa época em que os produtos que estão tomando conta dos nossos lares são:

  • café sem cafeína;
  • cerveja sem álcool;
  • manteiga sem gordura;
  • leite sem lactose e por aí vai.

Mas o que tudo isso tem a ver?

Com todas essas ideologias construídas a partir de uma “segunda era ‘paz e amor’” procuramos ser mais puros de alguma maneira.

Precisamos disso, é uma questão de necessidade. Afinal, a sociedade nos vende isso todos os dias.

Os dias estão mais conturbados.

O trânsito que nos incomoda; o chefe que não compreende que algo não pode ser feito; filhos que querem isso ou aquilo e por aí vai.

Como se todas as pessoas e/ou fatores externos nos controlassem de alguma maneira. E tudo isso nos faz viver para agradar aos outros.

De acordo com o filósofo Slavoj Zizek, nós achamos que o lixo some, simplesmente desaparece. Nós o enviamos para o lixão e pronto, sumiu.

Mas, todos sabem que o lixo vai para outros lugares.

De alguma maneira, o lixo faz parte do planeta, consequentemente do universo, afinal, nada é destruído de fato, tudo se transforma.

Zizek diz que se amamos o mundo em que vivemos, temos que amar o lixo que é produzido por ele igualmente.

Já percebeu que quando nos apaixonamos por alguém só notamos suas virtudes?

Deixe-me tentar falar sobre o amor, mais especificamente, o lixo do amor.

Acreditamos que amor tem que ser perfeito, que quando encontramos uma pessoa para amar, ela deve nos completar.

O amor verdadeiro, para Zizek, é o oposto. É reconectar a imperfeição, aceitar a pessoa com todas as suas falhas.

Entretanto, quando procuro um amor, quero alguém que pense como eu, que tenha o mesmo senso de humor, que goste das mesmas músicas, dos mesmos lugares e talvez tenha até os mesmos amigos, afinal assim é mais fácil e cômodo de se encaixar sem termos grandes mudanças.

Como somos seres acomodados por natureza, é confortável permanecer no mesmo circulo social, é difícil conhecer os pais da outra pessoa e outras N coisas que não queremos fazer pela mudança.

Quando idealizamos o amor, vemos o que queremos na outra pessoa.

Zizek diz que, na verdade, não nos apaixonamos pelas pessoas, mas sim pela imagem perfeita que fazemos delas.

Assim como gostamos de sonhar com um mundo sem lixo, mas ele ainda existe, a diferença é que esse lixo é tirado da frente dos nossos olhos e a partir desse momento, não nos preocupamos mais com ele.

Como se colocássemos óculos que ocultassem tudo o que não queremos ver.

Por isso que no começo de um relacionamento as coisas são mais tolerantes, pensamos que assim como o lixo do mundo, podemos esconder aquela “imperfeição” jogando-a para debaixo do tapete com uma conversa onde não estamos 100% satisfeitos com o resultado, mas não rendemos para não causar um “incomodo” na relação.

Porém, percebe que esse incomodo está sendo causado por você mesmo? Esse vai ser o ponto de discussão por várias e várias outras falhas.

Conheço muitas pessoas assim, que trazem a tona conversas do passado que não deveriam mudar em nada no agora, mas ainda sim são motivos de discussão.

Por exemplo, já percebeu que à medida que o tempo vai passando, adquire-se uma certa intimidade que não havia antes? Onde você pode dizer certas palavras sem tanto pudor, ter toques que talvez num primeiro momento não tivessem?

Esse é um ponto interessante, pois assim como você vai aprendendo a se moldar, a outra pessoa também está fazendo o mesmo.

Imagine então aquelas conversas mais acalorada que no começo não tinham e agora estão ficando um pouco mais normais, já pensou que talvez isso esteja acontecendo porque os dois estão tentando só relevar?

Mas até onde isso é benéfico para a relação?

É necessário que sejamos nós mesmos desde o primeiro momento, sem idealizar tanto o outro.

Fazemos parte de um quebra-cabeça gigante, onde somos peças importantes no meio da figura e as outras se encaixam ajudando a formar o todo, que nesse caso seria o nosso contexto social.

Tenho certeza que você não quer uma peça que não se encaixe, então se for necessário dizer ao namorado(a), amigo(a), irmão, mãe ou pai o que você pensa, mesmo que os magoe, deve fazê-lo.

Porque isso os conecta a realidade.

A realidade é repleta de verdades desconfortáveis, contradições e até dor. Já ouviu falar em: Estou falando isso porque te amo?

Se quisermos uma pessoa por perto, que seja para nos fazer bem. Você não precisa se anular para encontrar essa pessoa, só precisa ser você mesmo.

Vamos pensar um pouco sobre como eram os relacionamentos antigamente e os relacionamentos de agora. Mas vamos tentar pegar casos de sucesso.

Recentemente perdi minha avó, uma senhorinha sorridente e cheia de alegrias.

Lembro-me de nossas conversas e como ela contava sobre o passado, as brincadeiras, os trabalhos no campo, eram conversas incríveis e intermináveis, poderíamos passar horas e horas que eu não me cansava de escutar.

Mas o ponto aqui é sobre relacionamentos, vamos pegar o relacionamento de sucesso entre ela e o meu avozinho.

Nada de jogar os brinquedos fora

Mais de 50 anos juntos, com uma intimidade, cumplicidade e amor de dar inveja a muitos jovens.

Em nossas longas conversas percebi algumas coisas, como os motivos dos sucessos e insucessos do relacionamento amoroso. E sabe, não são coisas de outro mundo, são bastante simples na verdade.

O contexto importa muito, pois esse contexto vai moldar o seu pensamento até certo ponto. Percebi que o tempo e contexto em que eles viveram fez essa diferença.

As coisas, no geral, eram menos abundantes antigamente, menos brinquedos, menos opções de trabalho, menos comunicações fora do seu meio social.

E veja o impacto que isso causa na nossa sociedade, uma criança que quebra um brinquedo hoje, ela larga esse brinquedo e terá outro. Já somos acostumados com o “quebrou joga fora”, como se fosse lixo.

Antigamente não era assim, se o brinquedo quebrasse você consertava, como as bonequinhas de sabugo de milho que minha avó brincava. Isso a fazia ter mais cuidado com o que tinha.

Talvez você mesmo seja um exemplo de pessoa que lida com relacionamentos como se fosse brinquedo, já parou pra pensar nisso? Mas você conserta o “brinquedo”, ou joga fora como se fosse lixo?

Tudo que vivemos hoje são ecos do nosso passado e quase sempre colocamos verdades absolutas que nos moldam, criam fôrmas de como encaixamos as coisas e pessoas em nossas vidas.

Se você você enxerga que precisa de mudanças para lidar com seus relacionamentos. Você precisa se Desconstruir.

(Des)Construa Você e Seja O Seu Caminho!

Essa oficina existe para ajudar pessoas que muitas vezes sentem-se perdidas e incomodadas com o que sentem e fazem, a mudarem percepções, significados emocionais e a dar os primeiros passos rumo a sua estratégia de mudança!

Se a gente simplesmente começasse a olhar mais as pessoas nos olhos, senti-las, ouvi-las e enxergar o ser humano que está ali, conseguiríamos criar conexões muito mais profundas e diálogos que com certeza poderiam resolver muitos problemas que causamos em nossas cabeças, por não entender o outro.

Devemos aprender a amar mais as pessoas e usar as coisas, mas o que muita gente tem feito hoje é usar as pessoas e amar as coisas.

Relacionamentos não se tratam só dos nossos motivos individualistas, não se trata apenas do que queremos do compromisso que assumimos. Trata-se de empoderar a pessoa a alcançar os objetivos dela, seus sonhos e principalmente de ser vista e entendida como ser humano.

Entenda que talvez aquilo que você considera lixo, pode ser valioso para a outra pessoa. Entenda que seus contextos fazem toda a diferença para a pessoa que você se tornou, assim como as pessoas que você encontrará pelo caminho.

Ame as pessoas, entenda e se ponha no lugar delas. Isso vai fazer toda a diferença entre um relacionamento que vai “dar certo” ou não.

Wagner Souza

Apaixonado pelos significados da vida, encontrou na filosofia uma forma de ajudar aqueles que desejam ser pessoas melhores.

Iniciou sua carreira na área de Tecnologia e Inovação, mais tarde se tornou mentor em desenvolvimento de Negócios. Hoje é um Cientista do Comportamento e especialista em Gestão de Projetos, é experiente na aplicação de estratégias para o desenvolvimento da Inteligência Emocional e despertar da consciência.

Idealizador da Hono’ss. Já levou a Filosofia de Ressignificar para empreendimentos e vidas através de consultorias, oficinas e palestras ao longo do Sudeste e Sul do Brasil.

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Comments (10)

  1. Luci Soares

    Muuuuuito bom a nossa humanidade não quer parar um tempo de sua vida pra ouvir ou ler coisas importantes como esse tema devemos aprender a amar mais as pessoas e usar as coisas mas o que muita gente tem feito hoje é usar as pessoas e amar as coisas

    • Muuuuuuuito obrigado Luci! Tem toda razão, estava lendo um livro que falava sobre isso, que as pessoas estão cada vez mais “plásticas” de uma maneira que o sentimento em si não é valorizado, o contato humano não é valorizado. Acredito que a melhor forma de conseguirmos um mundo melhor é se conhecendo a tal ponto de criar empatia e sinergia com as pessoas, se permitir.

      Obrigado pelo comentário minha querida, estaremos fazendo novos posts em breve sobre o tema, espero você aqui nos comentários. =D

      • José

        Buenos! você partiu da aula do Merlí sobre o Zizek, certo? mas sabe em que livro do Zizek se discute esse assunto?

        • Olá meu caro José!!

          Sim, Merlí é uma série incrível não é mesmo? Eu assisti vários vídeos do Zizek onde ele compõe essa opinião sobre amor, não saberia dizer quais foram agora, porque realmente foram muitos.

          Eu iria relacionar com o amor platônico também, mas deixarei para um segundo post.

          Obrigado por acompanhar nosso blog, meu caro!!

  2. Luci Soares

    Muuuuuito bom a nossa humanidade não quer parar um tempo de sua vida pra ouvir ou ler coisas importantes como esse tema devemos aprender a amar mais as pessoas e usar as coisas mas o que muita gente tem feito hoje é usar as pessoas e amar as coisas

    • Muuuuuuuito obrigado Luci! Tem toda razão, estava lendo um livro que falava sobre isso, que as pessoas estão cada vez mais “plásticas” de uma maneira que o sentimento em si não é valorizado, o contato humano não é valorizado. Acredito que a melhor forma de conseguirmos um mundo melhor é se conhecendo a tal ponto de criar empatia e sinergia com as pessoas, se permitir.

      Obrigado pelo comentário minha querida, estaremos fazendo novos posts em breve sobre o tema, espero você aqui nos comentários. =D

      • José

        Buenos! você partiu da aula do Merlí sobre o Zizek, certo? mas sabe em que livro do Zizek se discute esse assunto?

        • Olá meu caro José!!

          Sim, Merlí é uma série incrível não é mesmo? Eu assisti vários vídeos do Zizek onde ele compõe essa opinião sobre amor, não saberia dizer quais foram agora, porque realmente foram muitos.

          Eu iria relacionar com o amor platônico também, mas deixarei para um segundo post.

          Obrigado por acompanhar nosso blog, meu caro!!

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